segunda-feira, 19 de maio de 2014

A Síndrome de Herodes

    É bem verdade que "a fé entra pelos ouvidos", porém, se o coração não se abre, continuamos como meros espectadores e não nos deixamos transformar por aquilo que ouvimos. A Palavra de Deus, por si mesma, traz a graça de tocar e transformar nossas vidas, entretanto, somos nós que livremente acolhemos ou não sua ação em nossas vidas. A palavra desse mês está no Evangelho de São Marcos 6, 14-29. Leia atentamente, escute com os ouvidos e também acolha com o coração, medite sobre essa palavra e deixe que ela cresça dentro de você, para isso o silêncio e o recolhimento são o ambiente propício.
    O rei Herodes simplesmente ouviu falar de Jesus, parou naquilo que os outros diziam, e acabou tendo uma impressão errada de quem era Jesus. Isso porque se acostumou a ouvir apenas como um espectador, deixando que as palavras entrassem por um ouvido e saíssem pelo outro, como costumamos dizer! Herodes gostava de ouvir João Batista, ainda que ficasse desconcertado e embaraçado por causa de sua situação de vida errada. Todos nós queremos ouvir a verdade, ainda que ela revele nossas fragilidades, porém, ter a coragem de assumir e mudar de atitude e de vida é o grande desafio.
    A verdade sempre vai incomodar quem não quer mudar de vida! João Batista incomodava Herodes e Herodíades, que viviam em adultério. Porém ambos escolheram continuar errando e preferiram calar quem falava a verdade. Atitude covarde de quem tem medo de mudar e de se converter! Eu e você precisamos fazer uma escolha diferente! Não podemos ficar na postura medíocre de simples espectadores da Palavra de Deus, de quem ouve a Palavra, mas não vive aquilo que ouve. Nós precisamos ouvir a Palavra de Deus com o forte desejo de sermos transformados por aquilo que ouvimos. Certamente isso será exigente para todos nós, mas, sair da nossa zona de acomodação, é sempre necessário.
    Costumamos dizer que 'água parada cria bicho', e é verdade; quando um pouco de água fica empoçada por muito tempo, torna-se um ambiente pronto para o aparecimento de bicho e doenças. Aplicando isso na nossa vida, podemos dizer que, um cristão parado vira um bicho, ou seja, um cristãos que não se converte continuamente, que não rompe o vínculo cômodo do pecado e do vício, acaba se assemelhando a um animal, vive uma vida desfigurada, desumanizada. Foi o que aconteceu com Herodes que, recusando-se a deixar sua vida errada acabou por matar João Batista, resolvendo de forma covarde continuar errando e eliminar quem lhe mostrava a verdade.
    Jesus é a Verdade e essa verdade sempre vai nos provocar a tomar decisões e fazer escolhas. Ainda que sejamos incomodados pelo anúncio da verdade, nossa vida precisa ser por ela transformada, caso contrário, tornamo-nos semelhantes a Herodes, que preferiu eliminar João Batista a se arriscar a mudar de vida. Assim, renunciemos à Síndrome de Herodes, que apresenta resistência à verdade e fúria assassina, buscando resolver as situações eliminando todos que dizem a verdade que não queremos ouvir. "Conhecereis a verdade e ela vos libertará", deixe que essa Verdade transforme a sua vida.


Padre Fabrício (Comunidade Canção Nova)

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Santa Catarina de Sena

Santa Catarina de Sena, uma Jovem Incrível!
Como pode ser que alguém tão jovem tenha feito tanta coisa em tão pouco tempo e ainda mais sendo mulher numa época em que as mulheres só cuidavam de suas casas… Só por graça de Deus! Conheça a incrível Santa Catarina de Sena…

A Família de Catarina
Santa Catarina de Sena, nasceu em Siena no dia 25 de março do ano 1347, na Idade Média. Era filha de um tintureiro, chamado Jacopo um cara que tingia lãs, e de mãe muito amorosa, dona Lapa.
Tinha nada mais, nada menos que 24 irmãos, mas só 13 sobreviveram. É que naquela época já era comum ter uns 10 ou 12 filhos e como seus pais tinham filhos gêmeos… Catarina mesmo era gêmea de uma irmãzinha, Giovana, que morreu ainda bebê. Seus pais eram pobres e toda herança que deixaram para ela foi uma boa educação em casa: aprendeu a ser honesta, trabalhadora, bondosa e educada.

A Menina Catarina


Quando tinha cinco anos aprendeu sozinha o Ângelus, que gostava de repetir incessantemente; ao subir e descer as escadas de sua casa, costumava ajoelhar-se em cada degrau para rezar uma Ave-Maria.
No finzinho de uma tarde, Catarina, já com seis anos de idade, estava voltando para casa depois de ter visitado uma de suas irmãs casadas, com seu irmão Stefano, dois anos mais velho que ela e outro menino amigo.
uma ladeira, descendo a rua, Catarina olhou para o alto da Igreja e viu uma coisa tão maravilhosa como nunca sonhara ver: Jesus em um trono real, vestido como um bispo e com a coroa do Papa na cabeça. A seu lado, encontravam-se os apóstolos S. Pedro, S. Paulo e S. João Evangelista. A criança ficou pregada no chão, contemplando como disse mais tarde: “Com todos os olhos do corpo e da alma”. Nosso Senhor sorriu-lhe amavelmente, levantou a mão e abençoou-a com o sinal da cruz, como fazem os bispos… Os rapazes já iam a meio da descida quando Stefano se voltou à procura da irmã e a viu de pé no alto da rua. Chamou-a várias vezes, mas Catarina não se moveu. Ele correu até ela e a pegou no braço. Perguntou: “Oque esta fazendo, Catarina?” Ela fitou-o como se tivesse acordado de um longo sono: “Oh, se tu tivesses visto o que eu vi, tenho a certeza de que nunca me interromperias nem afastarias tão deliciosa visão dos meus olhos”. Quando levantou o olhar de novo, a visão tinha desaparecido, então começou a chorar, desejando nunca ter perdido aquela visão celestial.
Catarina tornou-se chefe de todas as outras crianças da rua, ensinando-lhes jogos que ela própria tinha inventado – isto é, numerosos pequenos atos de devoção.

Curiosidade
No tempo de Catarina não haviam escolas, menos ainda para as meninas. Os meninos estudavam com um monge contratado para ensinar em casa, ou nos mosteiros. As únicas mulheres que sabiam ler e escrever eram as que entravam nos conventos.

Uma Jovem Decidida


Aos 15 anos de idade, Catarina ingressou na Ordem Terceira de São Domingos (era como se fosse uma espécie de clube que viviam as regras que São Domingos escreveu).
Catarina viveu um amor apaixonado por Deus Pai e pelo próximo. Quando ela orava, o seu quarto se iluminava de uma luz forte que saia por todas as frestas, pelas janelas e porta e naquela época nem existia luz elétrica.
Em 1374, quando ela tinha 27 anos, uma peste se alastrou por toda a Europa e ela decidiu cuidar dos enfermos e foi muito admirada e querida principalmente pelos italianos.
Catarina era uma líder, mesmo tão jovem, tinha muitos seguidores que gostavam de ouvir as coisas que ela dizia e lhe pediam conselhos, gente de todas as idades.
Ela era muito querida por ser gentil e bondosa com todos. Um dia soube que um jovem havia sido condenado à morte por um crime e passou a noite toda, antes do enforcamento, na prisão, com a cabeça do jovem em seu colo, falando do Céu e orando por ele.
Em 1376, grupos de manifestantes que odiavam a Igreja, se organizaram nas cidades de Perúgia, Florença, Pisa e Toscânia e decidiram se reunir para matar o papa Gregorio XI. Santa Catarina viajou rápido até Avinhão, cidade onde o papa se encontrava escondido, para ajudá-lo. Ela disse a ele que Jesus o queria em Roma e não escondido, porque a Igreja não podia ficar sem o bom exemplo de seu pastor e que ele não tivesse medo. O papa acreditou em Catarina e deu tudo certo.
Catarina falou muito com as pessoas em palestras, discursos, cartas, sempre pedindo que as pessoas vivessem em paz… Ela não sabia nem ler, nem escrever e ditava suas cartas endereçadas aos papas, aos reis e líderes, como também ao povo humilde.
Deixou-nos um livro lindo chamado “O Diálogo sobre a Divina Providência”, onde ela conversa com Deus Pai e fala do quanto ele é misericordioso e bom.
Por causa desse livro, Catarina foi reconhecida como uma das Doutoras da Igreja.
Santa Catarina de Sena morreu no dia 29 de abril do ano 1380 e só tinha 33 anos de idade.
Catarina foi canonizada em 1461 pelo Papa Pio II e em 1970, proclamada Doutora da Igreja pelo Papa Paulo VI.

Santa Catarina de Sena, rogai por nós!!!


Colaboração:
Magna Lima

domingo, 20 de abril de 2014

SEMANA SANTA


SEGUNDA, TERÇA E QUARTA-FEIRAS SANTAS
Nestes três dias, Jesus permaneceu em Jerusalém, preparando a Páscoa e convida-nos a ter em mente a MISERICÓRDIA de Deus para que, deixando-nos renovar, possamos também ressuscitar com Cristo.

QUINTA-FEIRA SANTA
A celebração principal deste dia é a Ceia Pascal. Celebramos as três grandes dádivas que o Senhor deixou durante a última ceia: EUCARISTIA, SACERDÓCIO E O MANDAMENTO DO AMOR.

SEXTA-FEIRA SANTA
Celebra-se a Paixão e Morte do Senhor como passagem necessária para a Ressurreição. Por meio desse acontecimento, podemos compreender o AMOR infinito que Deus tem por nós.

SÁBADO SANTO
A Terra, grávida de Cristo, está para dar à luz o Senhor ressuscitado, primícias da nova criação. A comunidade tem a sensação de grande vazio, que não é tanto o vazio de uma ausência, mas o vazio de uma espera. 


Colaboração:
Magna Lima

domingo, 23 de março de 2014

Deus se Esconde na Rotina

   Deus se manifesta sempre de forma surpreendente. Sua maneira de se revelar, frequentemente, contradiz a lógica humana. Se me perguntarem: “Onde Deus costuma se esconder e se manifestar?”, eu lhes respondo: “na rotina”; é nela onde menos esperamos encontrar o Senhor. Ele gosta de nos surpreender!



    Embora haja uma presença constante de Deus na vida de cada um de nós, há momentos em que essa presença se exprime por meio de “eventos” teofânicos: uma imprevisível manifestação divina que marca a vida do indivíduo, bem como a transforma. E essa teofania costuma acontecer dentro do cenário cotidiano.

    A oração é um exemplo. Rezamos comumente à mesma hora, no mesmo lugar; às vezes, fazemos até a mesma oração quando se trata da liturgia. No entanto, em um dado momento, uma Palavra bíblica ou a compreensão de algo, que até então permanecia velado, “salta” aos nossos olhos com uma novidade jamais prevista. Daí, a necessidade da perseverança.

   Moisés foi um homem que presenciou diversos eventos teofânicos em sua vida. O primeiro deles aconteceu na “montanha de Deus, o Horeb” (Ex 3,1). No costumeiro gesto de apascentar o rebanho do seu sogro, ele é, por assim dizer, apanhado de improviso pelo próprio Deus. Percebam que o profeta não foi à montanha para rezar – isto ele fará depois –, mas a trabalho. O que é algo intrigante.

    Mais adiante, Moisés fará a experiência de passar quarenta anos no deserto à frente de “um povo de cabeça dura”, mas com a certeza de que “cada dia foi feito pelo Senhor” (Sl 118, 24). Fico imaginando o quanto deve ser desgastante passar quatro décadas vendo, todos os dias, a mesma coisa: uma vastidão infinita de areia. Contudo, o homem “tirado das águas”, durante sua peregrinação, foi testemunha de acontecimentos que transcenderam a mesmice do deserto e tornaram seus dias mais cheios de esperança. Afinal, Deus se revela sempre e de forma inédita.Deus, em circunstâncias diversas, “mostra-se” a pessoas que estão em oração no Templo, lugar habitual da epifania divina. É o caso, por exemplo, de Zacarias (cf. Lc 3, 8-14) e Samuel (cf. I Sam 3, 3-11) para citar alguns. Com Moisés é diferente! Deus se manifesta na rotina. Isso, certamente, foi determinante na vida do genro de Jetro.

  O profeta não chegou a tomar posse da Terra Prometida; entretanto, não o consigo imaginar chegando, ao fim da vida, frustrado ou decepcionado com Deus. Ao contrário, quando morreu, “sua vista não havia enfraquecido e sua vitalidade não o havia abandonado” (Dt 34,7), certamente, porque havia compreendido e atestado que Deus se esconde e se revela na rotina.

Francivaldo da S. Sousa


Fonte: http://destrave.cancaonova.com/deus-se-esconde-na-rotina/

quinta-feira, 6 de março de 2014

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma


Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9)

Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

A graça de Cristo
Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez conosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).
A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Batista para O batizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).
Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogênito (cf. Rm 8, 29).
Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

O nosso testemunho
Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d'Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.
À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiênicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diaconia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo.
O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.
Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína econômica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.
O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.
Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.
Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!


Vaticano, 26 de Dezembro de 2013
Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir.
Papa Francisco

Fonte: http://www.cnbb.org.br/imprensa/internacional/13596-mensagem-do-papa-francisco-para-a-quaresma

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A Relação da Eucaristia com a Vida

Atenção com o próximo, reconhecer-se pecador e a coerência entre liturgia e vida são sinais que indicam como se vive a Eucaristia


Como se vive a Eucaristia? A resposta a esta pergunta foi o tema abordado pelo Papa Francisco na catequese desta quarta-feira, 12, na Praça São Pedro. O Santo Padre falou da necessidade de participar da Eucaristia tendo atenção para com os mais necessitados, vendo neles a face de Cristo.
Na semana passada, Francisco já havia falado da Eucaristia, que estabelece a comunhão entre o homem e Cristo. Hoje, o Papa falou de três sinais que indicam se o sacramento é bem vivido ou não pelos fiéis.
O primeiro sinal é a consideração pelos outros. Francisco lembrou que toda a vida de Cristo foi um ato de partilha, por amor ao ser humano. Ele questionou, a partir desse exemplo, como é a atitude dos cristãos na Missa.
“Agora nós, quando participamos da Missa, encontramos com homens e mulheres de todo tipo, mas a Eucaristia que celebro leva-me a senti-los todos como irmãos e irmãs? Impele-me a andar rumo aos pobres, marginalizados? Ajuda-me a reconhecer neles a face de Jesus?”.
Como exemplo, o Papa citou algumas situações sociais de dificuldade em Roma, como o sofrimento com a chuva, com a falta de emprego. Ele questionou se os fiéis se preocupam realmente com essas pessoas ou se na Missa a preocupação é só em reparar na roupa das pessoas, como acontece muitas vezes.
O segundo indício de uma boa vivência da Eucaristia é a graça de sentir-se perdoado e pronto a perdoar. “Quem celebra a Eucaristia não o faz porque quer parecer melhor que os outros, mas porque se reconhece sempre necessitado de ser acolhido pela misericórdia de Deus feita carne em Jesus Cristo. Devemos ir à Missa humildemente, como pecadores”, disse.
O Pontífice falou, por fim, da relação entre a celebração eucarística e a vida das comunidades cristãs. Ele ressaltou a necessidade de ter sempre em mente que a Eucaristia não é uma comemoração humana do que Cristo fez, mas é uma ação do próprio Cristo.

“É um dom de Cristo que se torna presente e nos acolhe para nutrir-nos”, disse o Papa, enfatizando a necessidade de coerência entre a liturgia e a vida.

Jéssica Marçal

Fonte: http://papa.cancaonova.com/na-catequese-papa-fala-da-relacao-da-eucaristia-com-a-vida/

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Um Ano Para Cultivar

    Estamos iniciando um novo ano, vamos a cada mês partilhar a Palavra de Deus de uma forma simples, mas com muita eficácia, pois a Palavra é viva e sempre produz na pessoa que acolhe muitos frutos de conversão. Vamos meditar o Evangelho de Lucas 13, 6-9, prepare-se por meio de um silêncio acolhedor das sementes da Palavra e na meditação, deixe que as raízes cresçam em você e certamente os frutos virão na sua vida. Leia várias vezes o texto bíblico!



    Na parábola contada por Jesus, fica muito claro que o homem era dono de uma vinha, porém quis ali plantar uma figueira, certamente com o projeto de se alimentar dos seus frutos. Entretanto, indo procurar os figos não os encontrou. Aquele homem não estava pedindo mais do que a figueira podia dar, ele não foi buscar uvas na figueira, isso seria impossível, mas ele foi buscar figos na figueira. Para você também Deus não pede o impossível, Ele não vai exigir de você aquilo que somente os outros podem dar. Da mesma forma como aquele homem, que sabia que somente a figueira poderia dar os figos e não as videiras, Deus sabe o que pode lhe pedir!
    O dono da vinha estava com a sua tolerância vencida e deu a ordem de cortar a figueira. Mas o agricultor, com a paciência de quem sabe cultivar, pede mais um tempo para a figueira: "Senhor, deixa-a ainda este ano. Vou cavar em volta e pôr adubo. Pode ser que venha a dar fruto." Esse é o nosso tempo! Temos um ano inteiro pela frente, para produzirmos os frutos que Deus quer encontrar em nossas vidas. Precisamos nos dedicar a "cavar em volta" e "pôr adubo", cuidando da saúde das raízes de nossa fé e dos nossos relacionamentos.
    Tenha metas claras e possíveis, não queira colher uvas da figueira. O início do ano é sempre marcado por projetos novos, porém eles precisam contemplar a realidade concreta, devem ter um prazo de validade superior à empolgação da virada do ano. Será necessário ter a paciência do agricultor, que se dedica a cultivar e trabalhar muito para que no futuro possa colher os frutos. Os melhores frutos de transformações e conquistas nas nossas vidas são consequência de dedicação pessoal e auxílio da graça de Deus. A graça de Deus nunca nos faltará, porém ao longo do ano a dedicação pessoal às vezes vai desaparecendo, não deixe isso lhe acontecer!
    Assim como aquela figueira, eu e você estamos diante de um ano novinho pela frente. Trabalhemos a terra do nosso coração e deixemos que as sementes da Palavra fecundem nosso viver, que as mãos do Senhor possam trabalhar em nós, a fim de que esse seja um ano de muitos frutos. Que esse seja para você um ano de cultivar com dedicação a conversão e crescimento que o Senhor espera de você! Deus abençoe o seu ano de 2014.


Padre Fabrício
Comunidade Canção Nova